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Cristóvão Colon já está na Cuba |
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Discurso do presidente do Núcleo de Amigos da Cuba – Engº Carlos CaladoSr. Director Regional da Cultura, Sr. Embaixador e Srª Embaixatriz de Cuba, Srs. Deputados, Srs. Governadores Civis, Srs. Representantes das Entidades Regionais e Locais, Minhas senhoras e meus senhores, Conterrâneos e amigosEm nome do Núcleo de Amigos da Cuba agradeço a todos a vossa presença. Hoje é um dia histórico para a Cuba! É também um dia histórico para o Alentejo e para Portugal. E vai ser, seguramente, um dia muito significativo para o Mundo. Durante 500 anos perdurou a incerteza sobre a identidade e as origens do Descobridor das Américas. A História oficializou-o, erradamente, como sendo o genovês Cristoforo Colombo. Em Espanha, celebrizaram-no com o nome de Cristóbal Colón e tentam, a todo o custo, encontrar uma imaginária origem catalã, depois de já terem falhado para lhe dar uma origem galega e uma origem maiorquina. Em Portugal, quer as entidades oficiais, quer os meios de comunicação social, têm faltado no apoio que seria imprescindível para dar visibilidade mundial às conclusões de vários historiadores e pesquisadores, os quais apresentaram provas de que o Descobridor das Américas não poderia ter outra nacionalidade que não fosse a portuguesa. De entre esses pesquisadores como Santos Ferreira, Patrocínio Ribeiro, Pestana Júnior, Ferreira de Serpa ou Gago Coutinho, que desde 1892 começaram a defender a tese da nacionalidade portuguesa de Cristóvão Colon, queremos destacar aquele que tudo lhe dedicou e maiores adversidades teve que enfrentar pela publicação dos seus livros sobre o Português Cristóvão “Colombo”. O prof. Mascarenhas Barreto, após mais de 15 anos de investigações, conseguiu descodificar a misteriosa sigla da assinatura do navegador, onde este revelava que “D. Fernando – duque de Beja e Dª Isabel Zarco eram os seus pais de Cuba”. Foi a confirmação que faltava às hipóteses já existentes e foi esse o momento de arranque que nos trouxe até esta cerimónia. Por isso, apresentamos aqui os nossos agradecimentos e prestamos também homenagem ao prof. Mascarenhas Barreto. Há apenas 3 anos, no almoço anual dos Cubenses não-residentes / Amigos da Cuba, nasceu a ideia de agarrar neste tema da nacionalidade do Descobridor das Américas, que tinha caído no esquecimento, e dar-lhe o merecido destaque. Estamos aqui, hoje, porque essa polémica se tornou mais visível em Portugal, quer pelas nossas diversas iniciativas, quer pela persistência e o talento de outros apoiantes que também partilham da mesma convicção. O Dr. Luciano da Silva, nos EUA, com as suas publicações, o seu permanente inconformismo e os caminhos que nos mostra para a realização de análises ao ADN, e José Rodrigues dos Santos, na envolvente mediática do seu livro O Codex 632, têm tido posição de relevo. Essa visibilidade avivou o interesse e a tese portuguesa encontrou-se com um defensor muito especial e decisivo – o Dr. José Flamínio Roza, presidente da Fundação Alentejo-TerraMãe, que decidiu oferecer à Cuba, ao Alentejo e a Portugal a magnífica estátua que corporiza esta homenagem. O nosso muito obrigado ao Dr. Flamínio Roza. Porque sempre ocultou a sua verdadeira identidade, não há no Mundo uma personalidade tão enigmática como o Descobridor das Américas. Mais de 460 monumentos em 42 países, o nome atribuído a 230 cidades, vilas, distritos e concelhos, além dos milhares de ruas, praças e avenidas que o perpetuam em todo o Mundo, não deixam dúvidas sobre a sua importância. Espanha dedica-lhe 80 monumentos, Itália dedica-lhe 60, as Américas – quase 300. Faltava, porém, a homenagem que repusesse a verdade histórica. Em Portugal, aqui na sua terra natal e revelando a sua identidade que sempre escondeu – Salvador Fernandes Zarco. A nossa saudação especial aos descendentes da família Zarco, que estão hoje aqui connosco. A polémica vai, certamente, continuar e, por mais provas que indiquem que o descobridor era português, os outros países pretendentes não vão desistir. Abro aqui um parentesis na minha intervenção, e chamo a atenção da Comunicação Social para colocar duas novas perguntas a quem ainda defende a versão oficial do Colombo italiano: 1ª - Como explicam que o navegador, logo que desembarcou na primeira ilha descoberta, lhe tenha dado o nome de S. Salvador ? É que, a versão do Colombo italiano, diz que ele pensava ter chegado às Índias, ao Oriente, às civilizadas ilhas do Sypango (actual Japão), que já tinham sido alcançadas por terra e figuravam nos mapas. Então ele ia dar-lhes outro nome? Eu só encontro uma explicação - O descobridor sabia que tinha chegado ao Novo Mundo, terra desconhecida, e portanto, não poderia ser esse Colombo italiano. 2ª - Como explicam que não haja nenhum retrato do Colombo italiano feito em vida do descobridor ? Durante 14 anos, entre a primeira viagem às Américas e a sua morte, no auge dos seus feitos históricos, nenhum grande pintor italiano quis fazer o retrato do seu famoso compatriota ? E só aparecem retratos feitos alguns anos depois da sua morte, quando alastrou a mentira da nacionalidade italiana. Eu só encontro uma explicação – O descobridor não poderia ser esse Colombo italiano. Mas só nós, cubenses, é que temos uma certeza – ele foi dar o nome da nossa terra à ilha que descobriu no dia 28 de Outubro de 1492, faz hoje 514 anos. O nome de Cuba ficou conhecido em todo o mundo, e só esse facto já é suficiente para justificar o nosso reconhecimento a Cristóvão Colon. É por isso, por essa ligação inegável entre as duas “Cuba”, que hoje temos a marcante presença do Sr. Embaixador de Cuba, que muito nos honra, e música cubana para a nossa festa. Às entidades oficiais, nomeadamente ao Ministério da Cultura e aos Srs. Deputados aqui presentes, bem como à Comunicação Social queremos, daqui da Cuba, lançar um pedido e um desafio: que, de agora em diante, se deixe de chamar “Colombo” ao navegador, inclusive nos manuais escolares, e se comece a usar o nome que o notabilizou – Cristóvão Colon – tal como está escrito nas Bulas Papais relativas ao descobrimento do Novo Mundo e também na carta que lhe escreveu D. João II, Rei de Portugal. Antes de terminar, quero agradecer à Câmara Municipal todo o apoio que nos tem dado e a colaboração mútua que nos permitiu chegar até este momento. Para a Cuba, a inauguração desta estátua não pode ser a meta de chegada. Deve ser a linha de partida para um novo futuro na nossa terra, que saiba extrair vantagens deste enorme potencial turístico-cultural. Pela minha parte, e nesse sentido, lanço já duas ideias: Primeira – Que a Câmara encontre um edifício apropriado para se instalar, com o apoio do Ministério da Cultura e de outras entidades, a Casa-Exibição da vida de Cristóvão Colon, que será um pólo de atracção para milhares de visitantes de todo o mundo. Segunda - Sugiro que o nome de Cristóvão Colon seja atribuído ao novo Aeroporto de Beja, aqui mesmo ao nosso lado e futura porta de entrada turística no Alentejo.
Contamos com o entusiasmo de todos! Cuba – Terra de Cristóvão Colon ! Viva a Cuba !
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