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As nossas casas |
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Património tradicional |
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É verdade! As nossa casas, as típicas casas alentejanas, são um verdadeiro património tradicional. Quer sejam casas térreas, com uma singela porta e, por vezes, apenas uma janela, não raramente sem vidraças, quer tenham dois pisos, normalmente com varandas ou varandins de ferro forjado, portas artisticamente trabalhadas e várias janelas envidraçadas, apresentam características únicas que lhes dão uma beleza singular e as distinguem claramente das casas de outras terras, de outras regiões e de outros países. As fachadas são caiadas de branco, contrastando com os socos e cercaduras coloridos, os tradicionais “barrões” amarelos, azuis, verdes, vermelhões ou cinzentos, e as portas são normalmente de duas folhas, sempre com seus postigos, e estes por vezes com decorativos gradeamentos. Para bater à porta, o que mais se encontra são batentes de ferro, quase sempre “aldrabas” ou “mãozinhas”. As janelas são de caixilharias exteriores em madeira, algumas vezes de guilhotina, peitoris também de madeira ou pedra da região, e portadas interiores naturalmente em madeira. Os telhados, sem grande inclinação, já poucos são em telha de canudo simples, que foi sendo substituída por telha de aba e canudo, obviamente de barro na sua cor natural. Destacando-se sobre o telhado vemos a grande chaminé alentejana, com uma forma muito própria, indiciando-nos o lume de chão, tão aconchegante nos frios rigorosos. Por vezes, os telhados não apresentam beirado nas fachadas, sendo estas prolongadas para cima, formando uma platibanda. Nas casas de dois pisos é frequente a existência de mansardas sobre o telhado. Estas são, em linhas gerais, as principais características exteriores das nossas casas tradicionais e que conferem à nossa terra o seu aspecto único – um valor que temos obrigação de preservar, pois ele é garante da manutenção da nossa identidade cultural. Nas últimas décadas, muitas das casas da Cuba têm sofrido obras de modernização e melhoramentos que, infelizmente, não têm garantido a conservação das características exteriores tradicionais. A todos os cubenses assiste o direito de melhorar as suas casas, dotando-as de interiores confortáveis, mas todos os cubenses também certamente compreenderão que é possível e desejável fazê-lo sem desvirtuar as características exteriores tradicionais, o que conduzirá a uma descaracterizadora uniformização, que um dia mais tarde não nos permitirá distinguir se estamos numa rua da Cuba, ou de qualquer outra localidade anónima deste país, ou num qualquer subúrbio de qualquer ponto deste planeta. As terras mais belas do mundo, aquelas que são visitadas por milhares de turistas, não têm obrigatoriamente que dispor de imponentes monumentos ou fabulosas construções. Obviamente que esses são factores que, por si só, atraem muitos visitantes, mas por todo o mundo não faltam exemplos de bonitas localidades reconhecidas e visitadas por terem sabido manter as suas características arquitectónicas tradicionais. Aliás, só mesmo em países ou regiões atrasados e subdesenvolvidos se confunde o progresso com a destruição das características tradicionais nas localidades mais antigas. Os países e regiões desenvolvidos dispõem de legislação própria destinada a garantir a preservação do seu património e disso obtêm benefícios evidentes. Como podemos todos nós, cubenses, contribuir para a preservação e defesa do nosso património edificado? Sem abdicar de dotar as nossas casas dos níveis de conforto proporcionados pelos modernos materiais e técnicas de construção, com apenas três atitudes simples manteremos, no mínimo, o seu aspecto e tradicionalismo exterior: a) Devemos começar por manter ou repor as nossas fachadas caiadas, ou mesmo pintadas, de branco, com os seus “barrões” coloridos nos tons que sempre se usaram. Evitar os azulejos modernos, evitar usar duas cores, evitar o reboco tipo granulado, com ou sem pintura. b) Depois, devemos resistir à tentação de utilizar alumínio anodizado ou alumínio bronze nas portas e janelas. Sendo certo que a facilidade e os custos da manutenção são inferiores aos da madeira, o alumínio anodizado é como uma terrível praga que destrói o nosso tradicionalismo. Hoje em dia já existem soluções alternativas, mesmo em alumínio lacado ou PVC, que permitem reproduzir muito fielmente o aspecto da madeira e as cores da sua pintura. c) Finalmente optaremos pelas portadas no interior das janelas, em lugar de agredir a beleza das suas linhas com a aplicação de estores ou portadas metálicas exteriores.
O futuro nos agradecerá. MÃOS À OBRA! |